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Rico Dalasam

Periferia e centro, local e global, gênero e raça, fervo e luta: Rico Dalasam é o artista da coexistência da ruptura. Negro e gay, ele veio da Cidade Intercap, bairro no Taboão da Serra, periferia da Grande SP, onde ainda mora com a família. Começou a criar versos ainda adolescente, na batalha de MCs do Santa Cruz, ao lado de gente como Emicida e Projota. Mas há algo de diferente nos versos de Rico – suas rimas falam sobre aceitação, questões de gênero e fervo. A ruptura com os estereótipos inerentes ao mundo do rap aparece também em seus looks, que contam com peças estampadas, cores fluorescentes, saias, cabelos escovados, coloridos e em comprimentos variados. Rico tem orgulho de ser quem é e não tem problema em mostrar isso.

Não foi por acaso que a música que o ajudou a ganhar visibilidade no Brasil se chama Aceite-c. Foi com ela que Rico começou a bombar, antes mesmo de lançar seu primeiro álbum. Quando Orgunga, sigla para Orgulho Negro Gay, saiu, em junho de 2016, Rico já havia até feito show na Parada LGBT de São Paulo.

Seu trabalho, que mistura referências de artistas diversos – como Rick James, Racionais MCs, Daniela Mercury e Mykki Blanco – e looks com referências encontradas em sites como Tumblr e Pinterest, chamou a atenção de clubes na região de Pinheiros e rua Augusta, em São Paulo, onde Rico costuma se apresentar. Com seu poderoso discurso sobre aceitação e questionamento sobre o que é considerado normal, Rico inaugurou a cena queer rap no Brasil.

Center and periphery, local and global, gender and race, party and confrontation: Rico Dalasam is the artist of ruptures coexistence. Black and gay, he came from Intercap City, a peripheric neighborhood in the outskirts of São Paulo, where he still lives with his family. Dalasam began to create verses while still a teenager in the MCs battle of Santa Cruz, next to some of the greatest Brazilian rappers, like Emicida and Projota. But there is something different about the verses Rico writes. His rhymes are about acceptance, gender issues and partying. The rupture with the stereotypes inherent to the world of rap also appears in his outfits, which include a wide range of incredible pieces full of unusual prints, fluorescent colors, skirts… All that with a mutant hairstyle, with different colours and lengths Rico is proud to be who he is and has no problem showing it.

It is not a surprise that his first hit in Brazil is called Aceite-c (“accept yourself”). The song made Rico famous even before releasing his first album. When Orgunga, a Portuguese acronym for Orgulho Negro Gay (Black Gay Pride), was released in June 2016, Rico had already been the headliner of the LGBT Parade in São Paulo.

His work has a great mix of references, which includes artists like Rick James, Racionais MCs Daniela Mercury and Mykki Blanco, and aesthetics inspired by a multitude of references captured from many Tumblr and Pinterest posts. It has caught the attention of hip clubs in São Paulo where Rico usually performs. With his powerful speech about acceptance and questioning what is considered normal, Rico inaugurated the queer rap scene in Brazil.